Três foram os Capitães Mores de Porto Feliz:
1º - Francisco Correa de Moraes Leite, de 1797 a 120
2º - Antonio José Leite da Silva, de 1820 a 1823
3º - Joaquim Vieira de Moraes, de 1825 até a extinção do posto
O Capitão Mor Francisco Correa de Moraes Leite nasceu em Araritaguaba, hoje Porto Feliz. Foram seus pais Thomaz Correa de Moraes e sua legitima esposa D. Isabel de Almeida Leite. Em sua terra natal, no correr do ano de 1782, contraiu matrimônio com D. Ana Francisca da Rocha, irmã do então vigário dessa paróquia, padre André da Rocha Abreu. Foi senhor de considerável fortuna e proprietário de importante fazenda de cana em terras de Porto Feliz. Tanto aí como em Itu e São Paulo. Gozou de grande prestígio, não só devido a seu cargo e haveres, como também pela retidão do seu caráter e generosidade de seu coração. Criado o cargo de Capitão Mor em Porto Feliz, devido a sua elevação a categoria de Vila, foi, pela nova Câmara, indicado o nome de Francisco Correa de Moraes Leite, e aceito pelo Capitão-General Governador. Durante 23 anos, exerceu ele o cargo, deixando-o em 1820 devido à avançada idade e seu precário estado de saúde. Foi então, reformado no posto de Coronel, tendo sido, em 1823, escolhido para membro do Governo Provisório e recusou o honroso cargo pelos mesmos motivos. Faleceu o coronel Francisco Correa de Moraes Leite, em sua terra natal, no correr do ano de 1835.
O Capitão Mor Antonio José Leite da Silva era também natural de Araritaguaba e irmão do antecedente e como este, senhor de fortuna e de importante fazenda de cana. Em 1789, em sua terra natal, contraiu matrimonio com D. Maria Rodrigues Leite, filha de José Rodrigues Viana. Como sua casa fosse muito bem instalada, em 1818 hospedou o Governador de Mato Grosso, Tenente Coronel Francisco de Paula Magessi Tavares de Carvalho, quando este, por via fluvial, se dirigia àquela Capitania, tendo ainda, em 1821, hospedado esse Tenente General em seu regresso. Em 1820 foi indicado pela Câmara para o cargo de Capitão Mor, vago pela renuncia de seu irmão, mas pouco tempo ocupou esse posto. Em 1823, tendo sido formadas as bases da Constituição, julgou ele que assim se diminuía o poder, bem como as atribuições do posto. Exonerou se.
O Capitão Mor Joaquim Vieira de Moraes não era natural de Porto Feliz, mas aí residia, possuindo nos limites com a Sorocabana, importante fazenda de cana. Gozou sempre de grande estima e prestigio. Era natural de Cotia, tendo sido seus pais Vicente de Moraes Pires e D. Timótea de Oliveira Guedes. Foi casado duas vezes: a primeira com D. Gertrudes Maria da Conceição, e a segunda, com D. Gertrudes Eufrosina de Oliveira. Tendo prestado desse seu posto em 1825, exerceu-o até a data em que foram extintos os postos de Capitães Mores. Em março de 1846 hospedou ele em sua fazenda o imperador D. Pedro II, que de Sorocaba se dirigia em visita a Porto Feliz. Foi agraciado com a comenda da Ordem da Rosa. Faleceu em Porto Feliz, no correr do ano de 1850.
Todos esses três Capitães Mores deixaram ilustre e numerosa descendência. Embora os Capitães Mores, em geral, se salientassem pelo despotismo e às vezes, até pela crueldade, os de Porto Feliz de nada podem ser acusados, pois exerceram o cargo com grande moderação e critério, jamais exorbitando de suas atribuições nem se aproveitando para exercer perseguições.
Francisco Nardy Filho - O Estado de São Paulo, 16 de novembro de 1951, pág.3